Proposta psicopedagógica para adaptação escolar
Historicamente, a Psicopedagogia foi reconhecida por sua intervenção clínica em relação às dificuldades de aprendizagem nos consultórios psicopedagógicos. Atualmente, porém, observa-se um grande crescimento da ação do psicopedagogo nas escolas, sobretudo em uma perspectiva preventiva e institucional. Muitas coisas que acontece nas escolas e preciso saber de onde surge, em casa e ou particular da criança, com os colegas ou com o professor. Assim, através da observação e da escuta, o psicopedagogo pode propor alterações nas posturas das famílias, e mais diretamente, dos profissionais que atuam com os alunos.
Existem maneiras diversas de atuação do psicopedagogo e na adaptação escolar, é imprescindível estar planejado para apoiar educadores, educando e familiares envolvidos neste processo. Após o contato prévio com os pais, explicando a necessidade da criança de sentir segurança por parte dos pais, é oportuno conscientizar o professor da importância da relação dos professores e alunos neste processo. Entre as condições que ,segundo se sabe, diminuem a intensidade das reações das crianças separadas de suas mães, as duas de maior atuação parecem ser: a presença de uma pessoa conhecida e ou objetos familiares; e os cuidados maternais de uma mãe substituta.
É evidente que o professor não poderá dar atenção individual para os alunos como uma mãe o faz, mas carinho, simpatia, segurança e respeito, ajudarão na construção desse vínculo tão importante para a criança.
Depois do terceiro ano da criança, elas se tornam mais capazes de aceitar a ausência temporária da mãe e de se dedicar a brincadeiras com outras crianças.
Uma das principais mudanças é que após o terceiro aniversário, a maioria das crianças torna-se cada vez mais apta, num lugar estranho, a sentir-se segura com figuras subordinadas de apego, por exemplo, uma pessoa da família ou uma professora na escola. Mesmo assim, esse sentimento de segurança é condicional. Em primeiro lugar, as figuras subordinadas devem ser pessoas com quem a crianças está familiarizada. Em segundo lugar, a criança deve ser saudável e não estar assustada. Em terceiro lugar, deve saber onde está a mãe e confiar que pode reatar o contato com ela em curto prazo.
É importante que o aluno sinta-se bem no ambiente escolar. Sentir vontade de estudar e aprender, além de integrar-se com os colegas adquirindo noções de companheirismo, solidariedade, sociabilização e amizade, proporciona entusiasmo e prazer pela escola. Assim também a relação professor-aluno deve ser construída no dia-a-dia do fazer profissional. No âmbito da psicopedagogia clínica e institucional o relacionamento estabelecido entre estes indivíduos é fundamental para a construção da natureza da aprendizagem, isto é o vínculo estabelecido deve ser percebido como adequado, prazeroso e saudável.
Existem oportunidades encontradas no caminho que oferecem oportunidades de alteração da rota principal, principalmente quando esta foi marcada por solidão e distanciamento humano. Por isso, encontro com pessoas seguras, relacionamentos estáveis, experiências de calor humano, todas constituem ocasiões nas quais os modelos internos podem ser revisto e aproveitados. Existe chance de nos dirigirmos por caminhos menos solitários e vazios, mudando o curso do nosso desenvolvimento. (ABREU, 2005).
Adaptação é tudo isso: conquista, conhecimento, paciência, insegurança, crescimento, confiança, oportunidade. Um processo feito de outros processos individuais. Envolvem-se pessoas, tempo, sentimentos, que às vezes são até contraditórios. Envolve afeto, desenvolvimento, apoio, humildade, enfim uma diversidade de sentimentos pertencentes a pessoas diferentes, que buscam no processo da adaptação escolar alcançar vitória significativa para o desenvolvimento escolar e também para vida.
Procedimento metodológico
O Paradigma: Um convite para o “pensamento complexo"
Nesta perspectiva, o ponto de partida é a assunção da idéia básica defendida por MORIN (1996), da complexidade do objeto. Neste particular, abordagens da linha fenomenológica e etnográfica, assim como o próprio recurso da filosofia da existência apresentam-se como instrumental teórico-metodológico de grande relevância para o processo de análise deste estudo.
Assim, trata-se da tentativa de estabelecer um diálogo entre diferentes disciplinas do campo das ciências humanas, tendo em vista melhor apreender os significados.
Esta pesquisa está classificada nos critérios de pesquisa bibliográfica para o embasamento teórico.
Partindo da pesquisa realizada, os dados foram analisados a partir de leitura crítica e redação dialógica a partir dos autores apresentados.
Considerações finais
Quando pensamos em adaptação escolar, surge a idéia de um período exaustivo, cheio de ansiedade, tensão e até tristeza, pois é o momento de socializar-se com um grupo diferente, separando-se momentaneamente de uma pessoa que representa o porto seguro da criança. Frente a essa realidade surge a necessidade de conhecer o desenvolvimento infantil, sob vários aspectos, pois eles trarão informações importantíssimas, para pais e educadores agirem de maneira preventiva e também proporcionarem segurança, quanto às atitudes que estão sendo executadas durante o processo educativo.
O conhecimento específico sobre o desenvolvimento humano proporciona o desenvolvimento de rotinas de acordo com as especificidades que foram estudas, podendo propor atividades mais interessantes, criativas, adequadas, ou seja, melhor elaboradas. Atividades bem planejadas com o objetivo de facilitar constituem instrumento construtivo para a construção da confiança da criança no ambiente escolar, desenvolvendo vínculos com os educadores e colegas que facilitam o processo de socialização, tão importante para a adaptação escolar.
Durante a adaptação escolar, é também importante dar atenção ao conceito que a criança faz de si mesma e vimos nesta pesquisa a necessidade da criança de aprender fazendo, ou seja, participar de uma interação ativa. Brincar, movimentar-se, é partes essenciais do processo, pois o ensino excessivo pelo professor sufoca o interesse pela aprendizagem e conseqüentemente pela escola.
O momento da adaptação escolar é uma fase que desperta emoções complexas na criança, então é imprescindível deixar claro que o processo de adaptação de uma criança na escola, não começa com ela, mas com seus pais, pois a entrada de uma criança na escola representa uma mudança na rotina e na vida, tanto das crianças como de seus familiares e da própria escola. A família deve estar segura e transmitir isso a criança, fazendo com que seu ambiente familiar seja um “oásis” no meio dessa fase cheia de congruências sentimentais.
Com certeza a psicopedagogia pode ser muito útil no planejamento do processo adaptativo e também durante o mesmo. A psicopedagogia pode propor atividades, reuniões preparatórias para os pais, mostrando a importância da participação segura deles durante esse processo. Conscientizar os professores e prepará-los para usar uma linguagem estimulante para a criança. Faz parte de a atuação psicopedagógica disponibilizar para os professores sugestões de materiais, rotinas pedagógicas que possam ser úteis para a distração da criança nos seus momentos de tensão.
Ficou claro, que a adaptação escolar, pode ser minimizada, se como profissionais comprometidos buscarmos conhecer melhor esse processo, propondo alternativas para melhorá-lo sempre. Pode ser complexo e trabalhoso planejar um processo adaptativo para alunos e pais que ainda não são conhecidos pela escola, mas acredito que esses esforços trarão resultados positivos fazendo com que um processo que era longo e exaustivo, possa se tornar mais autoconfiante, alegre e prazeroso, proporcionando um encantamento inicial pela escola, que abre caminhos para a aquisição de conhecimentos cada vez mais complexos. A nossa realidade aqui no Japão e bem diferente do Brasil, e conversei com famílias que tem sérios problemas, principalmente relacionado com o dialogo e tempo para ter esse momento de dialogo.
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